25.10

No dia 25 de outubro teremos que escolher entre duas opções.

Feito por e para judeus brasileiros

Quem é maisantissemita?

Role para ler

Ponto de inflexão

Em 2020, imitaram Goebbels. Em 2026, Mussolini. Onde vamos parar?

Pintura de Maurycy Minkowski: famílias judias sentadas com seus pertences depois de um pogrom
Maurycy Minkowski, After the Pogrom, 1910. Jewish Museum

Nós parecemos estar entre a cruz e a espada.

É inegável que a esquerda, e por associação, o Lula, tenham emitido opiniões e tomado iniciativas dolorosas para nós.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro se posiciona como um defensor de Israel, mas seu histórico e o de sua família revelam uma proximidade desconfortável com movimentos supremacistas.

É fato que não há dose aceitável de antissemitismo.

Em um momento histórico que produz em nós o medo daquilo que jamais esqueceremos, no entanto, cabe nos perguntarmos de onde vem, de fato, o maior perigo. De onde vem o maior desrespeito com a experiência judaica, seja diaspórica, seja em Israel? De que lado estão aqueles que flertam com ideias e atitudes propagandeadas pelo nazismo e seus arautos? Há, nesse contexto, uma escolha que, como dizemos proverbialmente, é boa para os judeus, ou, ao menos, possa nos trazer mais segurança?

01Desconfiança

Você tem razão de estar frustrado.

A postura alerta dos judeus para identificar o odor característico do antissemitismo sempre foi justificada. E nos gera frustração notar que o mau cheiro emana dos dois campos que disputam a presidência do País.

Essa desconfiança vem de algum lugar. Desde 7 de outubro de 2023, não têm sido incomuns discursos que ignoram as questões complexas que pautam conflitos de décadas na região de Israel e Palestina e que incorrem em antissemitismo.

Montagem que circula nas redes: o aiatolá Ali Khamenei manipula Lula como marionete
Montagem que circula nas redes: Lula como marionete de Khamenei

02Lula

Um histórico de suas relações, atitudes e falas com a comunidade judaica e Israel.

Lula tem 80 anos e 12 anos de mandato como presidente da República. Ao longo de sua história, colecionou movimentos e posições que à primeira vista podem parecer contraditórios quanto à comunidade judaica e ao Estado de Israel. Alguns foram apresentados aqui agora há pouco.

Entretanto, ao olharmos com cuidado, vemos que certas posturas se mantêm consistentes: a defesa da solução de dois estados, jamais questionando o direito à existência de Israel; a condenação da violência e do terrorismo; e a busca pelo diálogo com a comunidade judaica brasileira, sendo inclusive o primeiro governo a constituir um grupo de trabalho ligado à Presidência dedicado de forma sistemática ao enfrentamento do antissemitismo.

Lula, de quipá, deposita uma coroa de flores «Homenagem do Brasil» junto à chama eterna do Yad Vashem, em Jerusalém
Lula no Yad Vashem, Jerusalém, 16 mar 2010

03Bolsonarismo

Deus, Pátria e Família.

Do outro lado, os slogans bolsonaristas demonstram relações antigas e sinistras com os movimentos nazifascistas: o principal, “Deus, pátria e família”, foi copiado diretamente do movimento integralista brasileiro de Plínio Salgado, que nos anos 1930 se inspirava na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. A inspiração ia da estética, adotando uniformes militarescos e a infame saudação, às propostas políticas de “pureza” de sangue, supremacismo e subjugação de minorias.

Não dá pra dizer que é por coincidência: a base de Jair Bolsonaro, antes de sua atual popularidade, era em grande medida composta por neonazistas e simpatizantes, aos quais dedicou cartas, agradecimentos e homenagens públicas. Nesse sentido, os inúmeros episódios de apologia direta ao nazismo que ocorrem com cada vez mais alcance, desde o seu governo, podem assustar, mas não deveriam surpreender. Ao longo dos quatro anos em que Jair Bolsonaro foi presidente, seu governo acumulou episódios infames de desrespeito e agressão à nossa história em um volume sem precedentes.

À esquerda, cartaz «Deus, Pátria e Família» em ato bolsonarista; à direita, documento da Associação Brazil Livre com o mesmo lema em torno de uma suástica, dirigido a Oswaldo Aranha
Ato bolsonarista e proposta da Associação Brazil Livre a Oswaldo Aranha, 1938

04Diga-me comquem andas…

AfD, Bannon e outros correligionários.

Durante a última década, desde sua ascensão ao primeiro plano da política brasileira, Jair, Flávio e Eduardo vêm construindo firmes laços com expoentes da extrema direita global. Eles constituem parte de um movimento de extrema direita internacional que traz consigo o espectro do nazifascismo aos dias de hoje, defendendo uma suposta superioridade da “cultura ocidental europeia”, demonizando grupos minorizados e propagando teorias conspiratórias antijudaicas.

A lista inclui figuras como Beatrix von Storch, líder da AfD, partido herdeiro do nazismo na Alemanha; Steve Bannon, que, dividindo palanque com Eduardo Bolsonaro, fez saudação nazista; os ditadores Recep Erdogan e Viktor Orbán, entre outros nomes amplamente condenados por organizações de vigilância ao antissemitismo.

Pouco adianta balançar bandeiras de Israel nos momentos de conveniência quando, nos bastidores e em seus cotidianos políticos, a família Bolsonaro se cerca de notórios antissemitas e supremacistas brancos.

Jair Bolsonaro abraçado a Beatrix von Storch, da AfD, e ao marido dela, Sven von Storch, em julho de 2021
Jair Bolsonaro recebe Beatrix von Storch, da AfD, no Planalto, 26 jul 2021

05Flávio

Quem carrega a cruz, quem professa a espada.

Comparando os dois projetos em disputa nessas eleições, fica claro que apenas um lado defende soluções baseadas na violência e contrárias aos direitos das minorias.

O discurso cristão e missionário, a teologia que demoniza outras fés, está apenas de um lado.

E não é uma preocupação proveniente apenas de uma retórica perigosa. Tampouco diz respeito apenas a Jair e seu governo; os paralelos entre a ideologia nazifascista do início do século passado e o bolsonarismo contemporâneo são explícitos e, ainda nessa campanha, constantes. E por isso provocam medo.

A quantidade de falas e ações nesse sentido, sejam vindas da família Bolsonaro ou de seu entorno, é assustadora.

Estamos diante da cruz e da espada, ambas empunhadas pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

Lado a lado: rosto de Flávio Bolsonaro sobre fundo «Tropa do Flávio» repetido, e busto de Mussolini sobre fundo «Sì» repetido
Peça “Tropa do Flávio”, 2026, e fachada do Palazzo Braschi na campanha de Mussolini, Roma, 1934

Vozes

O que alguns judeus estão pensando